Estudo de caso · FIIs · Outubro de 2026

FIIs fora do pregão: a safra recente nasce cetipada

Até 2021, quase todo FII novo estreava na bolsa. De 2025 para cá, para cada fundo que abriu código de negociação na B3, três nasceram fora do pregão, e com quase quatro vezes o patrimônio.

Universo: os 1654 FIIs que entregaram ao menos um informe mensal à CVM entre jan/2019 e set/2026, publicado pela CVM em 03/10/2026. Safra é o ano de início de funcionamento; a safra 2026 vai de janeiro a agosto, último início registrado.

240
FIIs das safras 2025 e 2026 (até ago) fora do pregão, com R$ 46,5 bi de PL inicial
74
FIIs das mesmas safras listados no pregão, com R$ 13,1 bi de PL inicial
120
dos 240 cetipados recentes são de tijolo (R$ 15,1 bi); 48 de papel (R$ 12,3 bi) e 47 fundos de fundos (R$ 16,7 bi)
82%
dos fundos fora do pregão de 2025 e 2026 são restritos a investidor qualificado ou profissional. Nas safras 2019 a 2021 eram 217 listados para 75 fora do pregão

01O que é estar fora do pregão

Um FII pode ter cota negociada no pregão da B3, com código XXXX11, ou ter cota apenas registrada, transferida em balcão, o que o mercado chama de fundo cetipado. Quem decide isso é o ISIN que a CVM atribui à cota: quando ele traz um mnemônico de quatro letras, existe código de pregão; quando o mnemônico começa por número, não existe. Restrição a investidor qualificado ou profissional é outra coisa: há fundo restrito listado e fundo de varejo fora do pregão. Por isso o levantamento mostra as duas dimensões separadas.

02Safra a safra

fora do pregão (cetipado)listado no pregãosem ISIN no informe

SafraListadosForaSem ISIN% foraRestritos*

Fora = fora do pregão (cetipado). % fora = fora do pregão sobre listados mais fora; sem ISIN fica de fora da conta. *Restritos = fundos fora do pregão para investidor qualificado ou profissional, em quantidade.

03Tijolo, papel e fundo de fundos

O tipo vem da carteira declarada no último informe com ativos: tijolo quando 60% ou mais está em imóveis, terrenos, direitos reais ou participação em SPE imobiliária; papel quando 60% ou mais está em CRI, LCI, LH, LIG, debêntures e notas promissórias; fundo de fundos quando 60% ou mais está em cotas de outros FII; o resto é híbrido ou ainda sem carteira. Entre os 240 fundos fora do pregão das safras 2025 e 2026, 120 são de tijolo, 48 de papel e 47 fundos de fundos. O patrimônio dos fundos de fundos repete em parte o dos fundos que eles compram; para olhar só dinheiro novo em ativo, use os filtros de tijolo e papel.

04Por que os gestores estão saindo do pregão

O argumento de quem estrutura assim: o investidor de FII listado compra avaliando muito e vende sem pensar. Uma onda de resgates pela bolsa empurra a cota para baixo de forma indiscriminada, e a cota descontada contamina a próxima captação do mesmo gestor, porque ninguém compra emissão nova acima do preço que a tela mostra. Fora do pregão, a cota não tem preço diário de tela; o investidor fica com o valor patrimonial, a base de cotistas é mais estável e a captação seguinte não depende do humor do mercado secundário.

O outro lado também pesa. Sem pregão, o cotista não tem saída diária: vender a cota depende de achar comprador em balcão, quase sempre com desconto e sem referência pública. Sem preço de tela, o mercado também deixa de sinalizar quando a carteira piora; o desconto não some, só deixa de aparecer. No estudo sobre descontos nos FIIs de papel, o desconto somado da bolsa bateu com a perda que as carteiras indicavam. Fora do pregão, essa conferência não existe.

05Como foi feito

Fonte única: informe mensal de FII da CVM, de jan/2019 a set/2026. Listado no pregão é o fundo cujo ISIN mais recente traz mnemônico de letras; fora do pregão é o ISIN com mnemônico numérico; sem ISIN é o fundo que não informou código válido. Público alvo vem do último informe. Data de início é a mais antiga declarada pelo fundo em todos os informes: vários fundos antigos passaram a declarar a data da adaptação à Resolução CVM 175, e usar a data mais recente jogaria fundo de 1999 na safra 2023. PL inicial é o do primeiro informe entregue e PL atual o do último, somado só para fundos que entregaram informe a partir de mar/2026.

Ressalvas. Para safras até 2018, o PL inicial é o de jan/2019, não o do lançamento, e fundos encerrados antes de 2019 não aparecem. A marcação de master e feeder é feita pelo nome do fundo; com a opção ligada, o feeder sai da conta para o mesmo dinheiro não entrar duas vezes. Fundo que começou a funcionar e ainda não entregou o primeiro informe não aparece, então julho e agosto de 2026 podem estar incompletos. Os 82 fundos recentes sem ISIN informado ficam numa barra própria: sem ISIN não há como ter código de pregão, mas também não há prova no informe de que a cota é registrada em balcão. A lista completa, fundo a fundo, está disponível a pedido.