01O que é estar fora do pregão
Um FII pode ter cota negociada no pregão da B3, com código XXXX11, ou ter cota apenas registrada, transferida em balcão, o que o mercado chama de fundo cetipado. Quem decide isso é o ISIN que a CVM atribui à cota: quando ele traz um mnemônico de quatro letras, existe código de pregão; quando o mnemônico começa por número, não existe. Restrição a investidor qualificado ou profissional é outra coisa: há fundo restrito listado e fundo de varejo fora do pregão. Por isso o levantamento mostra as duas dimensões separadas.
02Safra a safra
| Safra | Listados | Fora | Sem ISIN | % fora | Restritos* |
|---|
Fora = fora do pregão (cetipado). % fora = fora do pregão sobre listados mais fora; sem ISIN fica de fora da conta. *Restritos = fundos fora do pregão para investidor qualificado ou profissional, em quantidade.
03Tijolo, papel e fundo de fundos
O tipo vem da carteira declarada no último informe com ativos: tijolo quando 60% ou mais está em imóveis, terrenos, direitos reais ou participação em SPE imobiliária; papel quando 60% ou mais está em CRI, LCI, LH, LIG, debêntures e notas promissórias; fundo de fundos quando 60% ou mais está em cotas de outros FII; o resto é híbrido ou ainda sem carteira. Entre os 240 fundos fora do pregão das safras 2025 e 2026, 120 são de tijolo, 48 de papel e 47 fundos de fundos. O patrimônio dos fundos de fundos repete em parte o dos fundos que eles compram; para olhar só dinheiro novo em ativo, use os filtros de tijolo e papel.
04Por que os gestores estão saindo do pregão
O argumento de quem estrutura assim: o investidor de FII listado compra avaliando muito e vende sem pensar. Uma onda de resgates pela bolsa empurra a cota para baixo de forma indiscriminada, e a cota descontada contamina a próxima captação do mesmo gestor, porque ninguém compra emissão nova acima do preço que a tela mostra. Fora do pregão, a cota não tem preço diário de tela; o investidor fica com o valor patrimonial, a base de cotistas é mais estável e a captação seguinte não depende do humor do mercado secundário.
O outro lado também pesa. Sem pregão, o cotista não tem saída diária: vender a cota depende de achar comprador em balcão, quase sempre com desconto e sem referência pública. Sem preço de tela, o mercado também deixa de sinalizar quando a carteira piora; o desconto não some, só deixa de aparecer. No estudo sobre descontos nos FIIs de papel, o desconto somado da bolsa bateu com a perda que as carteiras indicavam. Fora do pregão, essa conferência não existe.
05Como foi feito
Fonte única: informe mensal de FII da CVM, de jan/2019 a set/2026. Listado no pregão é o fundo cujo ISIN mais recente traz mnemônico de letras; fora do pregão é o ISIN com mnemônico numérico; sem ISIN é o fundo que não informou código válido. Público alvo vem do último informe. Data de início é a mais antiga declarada pelo fundo em todos os informes: vários fundos antigos passaram a declarar a data da adaptação à Resolução CVM 175, e usar a data mais recente jogaria fundo de 1999 na safra 2023. PL inicial é o do primeiro informe entregue e PL atual o do último, somado só para fundos que entregaram informe a partir de mar/2026.
Ressalvas. Para safras até 2018, o PL inicial é o de jan/2019, não o do lançamento, e fundos encerrados antes de 2019 não aparecem. A marcação de master e feeder é feita pelo nome do fundo; com a opção ligada, o feeder sai da conta para o mesmo dinheiro não entrar duas vezes. Fundo que começou a funcionar e ainda não entregou o primeiro informe não aparece, então julho e agosto de 2026 podem estar incompletos. Os 82 fundos recentes sem ISIN informado ficam numa barra própria: sem ISIN não há como ter código de pregão, mas também não há prova no informe de que a cota é registrada em balcão. A lista completa, fundo a fundo, está disponível a pedido.